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sábado, 24 de abril de 2010

A experiência mística do Amor


Rumi (1207-1273), o maior dos místicos islâmicos e extraordinário poeta do amor, nasceu no Afeganistão. Era um erudito professor de teologia, zeloso nos exercícios espirituais. Tudo mudou quando se encontrou com a figura misteriosa e fascinante do monje errante Shams de Tabriz. Como se diz na tradição sufi, foi "um encontro entre dois oceanos".

Esse mestre misterioso iniciou Rumi na experiência mística do amor. Seu reconhecimento foi tão grande que lhe dedicou todo um livro com 3.230 versos o Divan de Shams de Tabriz. Divan signfica coleção de poemas. A efusão do amor em Rumi é tão avassaladora que abraça tudo, o universo, a natureza, as pessoas e principalmente Deus. No fundo trata-se do único movimento do amor que não conhece divisões, mas que enlaça todas as coisas numa unidade última e radical, tão bem expressa no poema Eu sou Tu : "Tu, que conheces Jalal ud-Din (nome de Rumi). Tu, o Um em tudo, diz quem sou. Diz: eu sou Tu". Ou o outro:" De mim não resta senão um nome, todo o resto é Ele".

Essa experiência de união amorosa foi tão inspiradora que fez Rumi produzir uma obra de 40.000 versos. Famosos são o Masnavi (poemas de cunho reflexivo-teológico), Rubai-yat (Canção de amor por Deus) e o já citado Divan de Tabriz. Próprio da experiência místico-amorosa é a embriaguês do amor que faz do místico um "louco de Deus" como eram São Francisco de Assis, Santa Tereza d’Avila, Santa Xênia da Rússia e também Rumi. Num poema do Rubai-yat diz: "hoje eu não estou ébrio, sou os milhares de ébrios da terra. Eu estou louco e amo todos os loucos, hoje".

Como expressão dessa loucura divina inventou a sama, a dança extática. Trata-se de dançar girando em torno de si e ao redor de um eixo que representa o sol. Cada dervixe girante, assim se chamam os dançantes, se sente como um planeta girando ao redor do sol que é Deus.
Dificilmente na história da mística universal encontramos poemas de amor com tal imediatez, sensibilidade e paixão que aqueles escritos pelo islâmico Rumi. É como uma fuga de mil motivos que vão e vêm sem cessar. Um poema do Rubai-yat canta: "Tu, único sol, vem! Sem Ti as flores murcham, vem! Sem Ti o mundo não é senão pó e cinza. Este banquete e esta alegria, sem Ti, são totalmente vazios, vem!".

Um dos mais belos poemas, por sua densidade amorosa, me parece ser este, tirado do Rubai-yat: "O teu amor veio até meu coração e partiu feliz. Depois retornou, vestiu a veste do amor, mas mais uma vez foi embora. Timidamente lhe supliquei que ficasse comigo ao menos por alguns dias. Ele se sentou junto a mim e se esqueceu de partir".

A mística desafia a razão analítica. Ela a ultrapassa porque expressa a dimensão do espírito, aquele momento em que o ser humano se descobre a si mesmo como parte de um Todo, como projeto infinito e mistério abissal inexprimível. Bem notava o filósofo e matemático Ludwig Wittgenstein na proposição VI de seu Tractatus logico-philosophicus: "O inexprimível se mostra, é o místico". E termina na proposição VII com esta frase lapidar: "Sobre o que não podemos falar, devemos calar". É o que fazem os místicos. Guardam o nobre silêncio ou então cantam como fez Rumi mas de um modo tal que a palavra nos conduz ao silêncio reverente.
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Fonte: O Canto da Unidade, por Leonardo Boff.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Amor e aceitação




O amor é a linguagem, e a linguagem do amor é silenciosa. Quando dois amantes estão em profunda harmonia, quando suas vibrações estão simplesmente sincronizadas uma com a outra no mesmo comprimento de onda, então há o silêncio, então os amantes não gostam de conversar. 

Quando você está num profundo amor, pode segurar a mão do seu amado ou amada, mas permanecerá em silêncio... em completo silêncio, sem nem sequer uma ondulação. Nesse lago sem ondulações da sua consciência, algo é transmitido, a mensagem é dada. Trata-se de uma mensagem sem palavras.

O Tantra diz que a pessoa precisa aprender a linguagem do amor, a linguagem do silêncio, a linguagem da presença um do outro, a linguagem do coração, a linguagem das entranhas. Nós aprendemos uma linguagem que não é existencial, uma linguagem alienígena; utilitária, é claro, que preenche um certo propósito, mas no que se refere a investigação mais elevada da consciência ela é uma barreira. No nível mais baixo, tudo bem; é claro que no dia-a-dia você precisa de uma certa linguagem, e o silêncio não servirá. Mas quando você se move mais fundo e mais alto, a linguagem não servirá.

O Tantra diz para aceitar tudo o que você é. Você é um grande mistério de muitas energias multidimensionais; aceite isso e se porte com cada energia com uma profunda sensibilidade, com consciência, com amor, com compreensão. Mova-se com ela! Então cada desejo se torna um veículo para ir além, cada energia se torna uma ajuda; então este mesmo mundo é o nirvana e este mesmo corpo é um templo, um templo sagrado, um lugar sagrado.
O Tantra diz que não existe nenhuma dualidade. Se existir a dualidade, você não pode uni-las e, não importa quanto você tente, elas permanecerão duas; não importa como você as uma, elas permanecerão duas e a luta continuará, o dualismo permanecerá.
O Tantra diz que não há dualidade, que ela é apenas uma aparência. 

Portanto, por que ajudar a aparência a se fortalecer? O Tantra pergunta por que ajudar essa aparência a de dualidade a se fortalecer? Dissolva-a neste exato momento! Seja UM! Através da aceitação você se torna UM, e não através da luta. Aceite o mundo, aceite o corpo, aceite tudo o que for inerente a ele. Não crie um centro diferente em você mesmo, pois para o Tantra esse centro diferente nada mais é do que o ego. Não crie um ego e simplesmente fique consciente do que você é. Se você lutar, então o ego estará presente.

O Tantra diz para não lutar! Então não há possibilidade para o ego... Se entendermos o Tantra, haverá muitos problemas, porque para nós, se não houver luta, haverá apenas permissividade. Para nós, nenhuma luta significa permissividade. Mas para o Tantra a permissividade então é a “nossa” permissividade. O Tantra diz para ser permissivo, mas com consciência.
Você está com raiva... O Tantra não dirá para não ficar com raiva, mas para ficar inteiramente com raiva, mas esteja consciente. O Tantra não é contrário a raiva, mas é apenas contrário ao estado de sono espiritual e à inconsciência espiritual. Esteja consciente e esteja raivoso, e este é o segredo do método: se você estiver consciente, a raiva é transformada e se torna compaixão. A mesma raiva, a mesma energia, se tornará compaixão.

Se você lutar com ela, não haverá possibilidade de acontecer a compaixão. Não haverá raiva porque você a reprimiu, mas também não haverá nenhuma compaixão, porque somente a raiva pode ser transformada em compaixão. Se você for bem sucedido em sua supressão, o que é impossível, então não haverá sexo, mas também não haverá amor, porque com o sexo morto, não há energia para crescer em amor. Você ficará sem sexo, mas também ficará sem amor, e então todo o ponto é perdido, porque sem amor não há divindade, sem amor não há libertação, sem amor não há liberdade.

O Tantra diz que essas mesmas energias dever ser transformadas; em outra palavras: se você for contra o mundo, não haverá nirvana, porque esse mesmo mundo é o que deve ser transformado no nirvana. Então você estaria contra as energias básicas que são a fonte. 

Dessa maneira, a alquimia tântrica diz para não lutar, para se amigável com todas as energias que lhe foram dadas. Acolha-as, sinta-se grato por você sentir raiva, por você ter sexo, por você ter ganância. Sinta-se grato porque essas são as fontes ocultas, e elas podem ser transformadas, podem ser abertas. E, quando o sexo é transformado, ele se torna amor, e o veneno desaparece, o que é feio desaparece.
A semente é feia, mas quando se torna viva, ela brota e floresce, e então há beleza.

Para o Tantra, tudo é sagrado. Lembre-se disto: para o Tantra tudo é sagrado, nada é profano. Olhe para isso desta maneira: para uma pessoa irreligiosa, tudo é profano; para uma pessoa pretensamente religiosa, uma coisa é sagrada e outra é profana. O Tantra diz que tudo é sagrado, e é por isso que não podemos entendê-lo. Ele é o ponto de vista não-dual mais profundo – se pudermos chamá-lo de ponto de vista. Ele não é, porque todo ponto de vista fatalmente é dual. Ele não é contra coisa alguma; portanto, não é um ponto de vista, mas uma unidade sentida, uma unidade vivida.
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(Osho – partes extraidas do Tantra, O caminho da aceitação)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

"Quando o poder do AMOR se sobrepuser ao amor pelo PODER, o mundo conhecerá a PAZ"
Jimi Hendrix

domingo, 9 de agosto de 2009

Sobre o AMOR

"Quando o amor vier a ter convosco, recebai-o.
Embora os seus caminhos sejam árduos e sinuosos.
Quando as suas asas vos envolverem, abraçai-o,
embora a espada oculta sob suas asas vos possa ferir.
E quando ele falar convosco, acreditai,
Embora a sua voz possa abalar os vossos sonhos
como o vento devasta o jardim.
Pois o amor, coroando-vos, também vos sacrificará.
Assim como é para o vosso crescimento, também é para a vossa decadência.
Mesmo que ele suba até vós e acaricie seus mais tenros
ramos que tremem ao sol,
Também até suas raízes ele descerá.
E as sacudirá, enquanto elas se agarram a terra.
Como molhos de trigo ele vos junta a si.
Vos apanha para vos pôr a nu.
Vos peneira para vos libertar das impurezas,
E vos mói até a alvura.
Vos amassa até vos tornardes moldáveis;
E depois vos entrega ao seu fogo sagrado,
para que vos torneis pão sagrado,
Para a sagrada festa de Deus.
Todas estas coisas vos fará o amor até que conheçais
os segredos do vosso coração,
E com esse conhecimento, vos tomeis
um fragmento do coração da vida.
Mas, se receosos procurardes somente
a paz do amor e o prazer do amor,
Então é melhor que oculteis a vossa nudez e saiais do amor.
Saiais para o mundo sem sentido onde rireis,
mas não com todo o vosso riso.
E chorareis, mas não com todas as vossas lágrimas.
O amor só se dá a si e não tira nada, senão de si.
O amor não possui nem é possuído;
Pois o amor basta-se a si próprio.
Quando amardes não deveis dizer: "Deus está no meu coração",
Mas antes, "Eu estou no coração de Deus".
E não pensais que podeis alterar o rumo do amor,
Pois o amor se vos achar dignos dele, dirigirá seu curso.
O amor não tem outro desejo,
que não seja de preencher a si próprio.
Mas se amardes e tiverdes desejos,
que sejam esses os vossos desejos: Fundir-se.
E ser como um regato que corre e canta sua melodia para a noite.
Amai e amai sempre. Para conhecer a dor de tanta ternura,
E ser ferido pela vossa própria compreensão do amor.
Amai para sangrar com vontade, e alegremente.
Amai para despertar de madrugada com um coração alado,
E dar graças a Deus por mais um dia."
...
Khalil Gibran

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Amor - a força criativa da Alma

Quando compreendido no sentido mais literal, o amor é um entre os poderes específicos da alma, manifestado especialmente através das emoções. Quando, porém, é definido em seu sentido mais amplo, o amor é a luz e o "espírito" da vida, que transforma os estados de potencial em realidade, desenvolvendo a abrindo completamente todos os variados poderes da alma.
Neste sentido, o amor não é apenas uma qualidade específica da alma, mas um poder geral, presente na escala completa de propriedades intelectuais, emocionais e intrínsecas da psique humana. Esta luz do amor é a "luz do Eterno, bendito seja," cujo ímpeto para criar o mundo e os meios que usou ao fazê-lo é o amor. Aí repousa o segredo da luz sendo o ato criativo inicial do primeiro dia da Criação. Dessa maneira, o amor é a força criativa ou fluxo de energia que vêm de Deus até a "realidade". A carência de amor é, por analogia, um estado de trevas, com tudo que a imagem de trevas e carência, melancolia e depressão representam.
A Criação do mundo, "algo vindo do nada", pelo ímpeto do amor, nos ensina o segredo de trazer potenciais ocultos à realização. "Chochma" (sabedoria) é o primeiro dos poderes intelectuais da alma, e manifesta-se como lampejos de introvisão esclarecendo a consciência. Estes "lampejos" instantâneos encontram-se num estado de puro potencial, necessitando desenvolvimento. Sabedoria, como todas as outras faculdades da alma, é um recipiente. Aquilo que preenche o recipiente é a luz e a vida-força do amor escondidos dentro dele.
O desenvolvimento de qualquer pensamento, plano ou talento acarreta o despertar interior do amor, necessário para desencadear processo de crescimento. O amor é o florescer da alma, e sem ele tudo murcha e perece.
Duas outras importantes características do amor são reveladas em sua constante comparação com a água na Cabalá. Os dois aspectos da água que a estabelecem como um símbolo apropriado do amor são sua propriedade de adesão, pela qual a água faz com que os elementos unam-se um ao outro, e sua tendência a descer.
O amor é a força primária de atração da alma, por meio da qual uma pessoa é atraída para outras almas, situações e objetos, cada um deles necessário para retificar e completar algum aspecto de seu propósito no mundo.
O poder do amor é suficiente para aproximar múltiplas energias, mesmo que às vezes se oponham, para completar uma tarefa, dirigir uma organização ou buscar os objetivos de uma causa. Isto pode ser observado em religião, política, família e assuntos comunitários - para mencionar apenas alguns deles. Numa base individual, o amor é a força essencial que aproxima as pessoas e a "cola" que mantém relacionamentos variados funcionando. A dissipação do amor invariavelmente enfraquecerá, prejudicará ou acabará com estes relacionamentos."
Deus desejava ter uma morada nos mundos inferiores" (Midrash Tanchuma Nasso 16). O conceito de Deus "descendo" através da Criação a mundos progressivamente inferiores é de tal forma que Ele ao final reúne-se e apega-se ao mundo, o objeto de Seu amor. Similarmente, aquele que ama "desce" ao nível de seu amado, assegurando-se que o amor desejado realmente atinja e preencha seu recipiente. Não se pode esperar uma conexão com outros quando se permanece distante e isolado. Apenas quando se desce da "torre de marfim" do ego, o amor pode manifestar-se.


Fonte: Beit Chabad em Cabalaterapia - AMOR - A força criativa da alma - parte 1

sábado, 18 de abril de 2009

Prece pra quem se ama

"Desejo que a sua vida inteira seja abençoada, cada pequenino trecho dela, em toda a sua extensão. Que cada benção abrace também as pessoas que ama e seja tão vasta que leve abraço a outros tantos seres, sobretudo àqueles que mais sofrem, seja lá por que sofrem.

Desejo que os nós que apertam o seu coração sejam gentilmente desatados e que os sentimentos que os formaram se transformem na abertura capaz de criar belos laços de afeto.

Desejo que o seu melhor sorriso, esse aí tão lindo, aconteça incontáveis vezes pelo caminho. Que cada um deles crie mais espaço em você. Que cada um deles cure um pouco mais o que ainda lhe dói. Que cada um deles cante uma luz que, mesmo que ninguém perceba, amacie um bocadinho as durezas do mundo.

Desejo que volte para o seu mar quantas vezes forem necessárias até encontrar o seu tesouro. Que quando encontrá-lo, não seja avarento. Que descubra maneiras para compartilhar a sua felicidade, o jeito mais gostoso para se expandir a riqueza.

Desejo que quando os ventos da mudança ventarem mais forte, e sentir medo de ser carregado junto com tudo o que parecerem arrastar, você já conheça o lugar onde nada pode arrastá-lo. Que já saiba maneiras de respirar mais macio, quando as circunstâncias lhe encurtarem o fôlego. Que, com o passar do tempo, a sua alma se torne cada vez mais maleável, mas que seja firme o bastante para nunca desistir de você.

Desejo que tudo o que mais lhe importa floresça. Que cada florescimento seja tão risonho e amoroso que atraia os pássaros com o seu canto, as borboletas com as suas cores, o toque do sol com seu calor mais terno, e a chuva que derrama de nuvens infladas de paz.

Desejo que, mais vezes, além de molhar só os pés, você possa entrar na praia da poesia da vida com o coração inteiro e brincar com a ideia que cada onda diz. Que, ao experimentar um caixote ou outro, não se arrependa por ter entrado na água, nem desista de brincar. Todo mundo experimenta um caixote ou outro, às vezes um monte deles, quando se arrisca a viver. O outro jeito é estar morto. O outro jeito é não sentir.

Desejo que não tenha tanta pressa que esqueça de colher estrelas com os olhos, nas noites em que o céu vira jardim, e levar para plantar no seu coração as mudas daquelas mais luzentes. Que tenha sabedoria para encontrar descanso e alimento nas coisas mais simples da vida. Que a cada manhã a sua coragem acorde bem juntinho de você, sorria pra você, e o convide para viverem uma história toda nova, apesar do cenário aparentemente costumeiro. Que tenha saúde no corpo, saúde na alma, saúde à beça.

Desejo que encontre maneiras para se fazer feliz no intervalo entre o instante em que cada dia acorda e o instante em que ele se deita pra dormir, porque a verdade é que a gente não sabe se tem outro dia. Que quanto mais passar a sua alma a limpo, mais descubra, mais desnude, mais partilhe, com medo cada vez menor, a beleza que desde sempre você é. Que se sinta livre e louco o bastante pra deixar a sua essência florir.

Não importa quanto tempo passe, não importa onde eu esteja, não importa onde esteja você, abra os olhos pra dentro e ouça: o meu coração estará dizendo esta mesma prece de amor para o seu. Amor incondicional, exatamente como neste instante. Não importa o quanto a gente mude, o quanto a distância aparente nos afastar, isto que sinto por você, eu sei, não muda nunca mais."

Escrito por Ana Jácomo (escritora inspirada, que eu adoro!)
http://anajacomo.blogspot.com/

domingo, 4 de janeiro de 2009

O Amor é a Lei de Deus

O Amor é a lei de Deus. Viveis para que aprendais a amar. Amais para que aprendais a viver. Nenhuma outra lição é exigida do Homem”.

A quem ou a quê devemos amar? Podemos escolher certa folha da Árvore da Vida e despejar sobre ela todo o nosso coração? E o ramo que produziu essa folha? E a haste que sustenta esse ramo? E a casca que protege essa haste? E as raízes que alimentam a casca, os ramos e as folhas? E o solo que envolve as raízes? E o sol, o mar e o ar que fertilizam o solo? Se a pequena folha merece o vosso amor, quanto o mais merecerá a árvore toda!
O amor que corta uma fração do todo, antecipadamente se condena ao sofrimento. E direis: “Mas há muitas e muitas folhas em uma única árvore: umas são sadias outras são doentes; umas são belas, outras, feias; algumas são gigantes, outras são anãs. Como poderemos deixar de escolher?”. - E vos direi: Da palidez do doente provém à vitalidade do sadio. E vos direi ainda mais, que a fealdade é a paleta, a tinta e o pincel da Beleza; e que o anão não seria anão se não tivesse dado parte de sua estatura ao gigante.
Vós sois a Árvore da Vida. Cuidado para não dividirdes a vós mesmos! Não ponhais um fruto contra outro fruto, uma folha contra outra folha, um ramo contra outro ramo; nem ponhais o ramo contra as raízes, ou a árvore contra a terra-mãe, pois, é exatamente isso que fazeis quando amais uma parte mais do que o restante, ou com a exclusão do restante.
Vós sois a Árvore da Vida. Vossas raízes estão em toda parte; vossos ramos e folhas, em toda parte; vossos frutos em todas as bocas. Sejam quais forem os frutos dessa árvore; sejam quais forem seus ramos e folhas; sejam quais forem as suas raízes; serão os vossos frutos, vossas folhas e ramos, serão as vossas raízes. Se quiserdes que a árvore dê frutos doces e aromáticos, e a desejardes sempre forte e verde, cuidai da seiva com que alimentais as suas raízes.
O Amor é a seiva da Vida; o ódio, o pus da morte. Mas, o Amor, tal como o sangue, precisa não encontrar obstáculos para circular nas veias. Reprimi o movimento do sangue e se tornará uma ameaça, uma praga. E que é o ódio senão amor reprimido ou amor retido, tornando-se veneno tanto para quem o alimenta como para o alimentado; para quem odeia como para o que é odiado. Uma folha amarela na vossa Árvore da Vida é somente uma folha a que faltou amor. Não culpeis a folha amarela. Um ramo ressequido é somente um ramo faminto de amor. Não culpeis o ramo ressequido. Uma fruta podre é somente uma fruta amamentada com ódio. Não culpeis a fruta podre. Culpai antes o vosso coração cego e egoísta que repartiu a seiva da vida para uns poucos e a negou a muitos, negando assim a ela própria. Não há outro amor possível senão o amor a si próprio. Mas nenhum ser é real, senão aquele que abrange o Todo.
Eis porque Deus é Amor; porque Deus se ama a Si Mesmo. Se o amor vos faz sofrer, é porque ainda não encontrastes o vosso próprio ser, nem achastes a chave de ouro do amor, pois se amais um ser efêmero, o vosso amor é efêmero. O amor do homem pela mulher não é Amor; é algo muito diferente. O amor dos pais pelos filhos é tão somente o limiar do sagrado templo do Amor… Deixai que os homens se gabem de carnes e ossos que se apegam a outras carnes e ossos, mas jamais deis a isso o sagrado nome de Amor.
Não conhecereis a alegria do Amor enquanto houver ódio em vossos corações. Quando odiais alguém ou alguma coisa, na verdade odiais a vós mesmos, pois o que odiais está inseparavelmente ligado ao que amais, como o verso e reverso da mesma moeda. Se quiserdes ser honestos convosco mesmos, tereis que amar aqueles e aquilo que odiais e aqueles e aquilo que vos odeia, antes de amardes o que amais e o que vos ama… Que ninguém se orgulhe de amar. O Amor é uma necessidade; mais necessidade é do que o pão e a água; mais do que a luz e o ar… Deveis respirar no Amor tão natural e livremente como respirais o ar para dentro e para fora de vossos pulmões. [Mas], não espereis recompensa do Amor.
O Amor é, em si mesmo, recompensa suficiente para o amor, assim como o ódio é, em si mesmo, recompensa para o ódio. Assim como um poderoso rio que se esvazia no mar é reabastecido pelo mar, assim deveis esvaziar-vos no Amor, para que sejais preenchidos para sempre de Amor. Sempre vos ouço dizer que o amor é cego, no sentido de que não vê defeitos no ser amado… Desejaríeis ser sempre tão cegos que não encontrásseis faltas em coisa alguma. Não! Claro e penetrante é o olhar do Amor; por isso não vê faltas. Quando o Amor houver purificado a vossa visão, não vereis jamais nada que não seja digno de vosso amor. Só uma visão despojada de amor, um olho faltoso, está sempre ocupado em encontrar faltas; e quaisquer que encontre serão as suas próprias faltas…
O Amor integra; o ódio desintegra… Mesmo os vossos corpos perecíveis como parecem ser resistiriam à desintegração, se amásseis com a mesma intensidade cada uma das células que o constituem.
O Amor é a paz cheia das melodias da vida. O ódio, a guerra ansiosa pelos satânicos golpes de morte. Que preferis: o Amor para gozardes a paz eterna, ou o ódio para estardes em guerra?! Toda a Terra está viva em vós. O Céu e suas hostes estão vivos em vós. Amai, pois a Terra e todos os seus habitantes se amais a vós mesmos. Amai o Céu e os seus habitantes se amais a vós mesmos.

Trechos de “O Livro de Mirdad” - Mikhail Naimy
Imagem: detalhe da obra A árvore da vida - de Gustav Klimt

sábado, 23 de agosto de 2008

Sobre o AMOR

A ausência que se faz presença.
O nada que é tudo.
O amor é uma força sublime e grandiosa demais, impossível de ser evitado.
Às vezes penso que é o amor que nos possui, e não nós a ele. Simplesmente ele vem e nos toma por inteiro, célula por célula, desfaz a nossa noção de tempo e engana os nossos sentidos.
O amor, quando verdadeiro, é tão poderoso, que quando por acaso tudo parece perdido, ainda assim, o próprio amor encontra os seus caminhos e promove um reencontro, neste ou em outros planos de existência…
O amor é SAGRADO. Assim é e nada teme.


Kátia Bueno

quinta-feira, 17 de julho de 2008

O caminho do amor

Compartilho o vídeo que está no link abaixo - uma entrevista que é um verdadeiro presente, carregado de profunda sabedoria:

http://video.google.com/videoplay?docid=1762327500733359104&hl=en

Robert Happe é um pesquisador espiritualista, e nos fala aqui sobre a vida e como devemos observar e interagir com ela.

É um ser humano altamente consciente do seu papel diante da humanidade, e acima de tudo, diante de si mesmo. Um exemplo dígno de ser seguido, principalmente no momento atual que estamos atravessando.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Fluindo com o coração

Não tenho me preocupado muito em saber para onde vou, como durante tanto tempo eu me preocupei. Curiosamente, experimento uma confiança de estar seguindo na direção do caminho que é meu, como nunca antes eu senti. Não há grandes acontecimentos que sinalizem isso. Apenas sinto. Apenas confio.
Estou aprendendo, ainda que com os inevitáveis tropeços de todo aprendiz, a permitir que o meu coração tenha mais espaço para me mostrar por onde ir.

Tenho deixado com mais freqüência que me conduza, porque ele faz isso sem esforço algum. Há uma leveza rara disponível nessa entrega. Ainda insisto, incontáveis vezes, no antigo e desgastante vício de tentar controlar tudo. Mas quando consigo simplesmente fluir no movimento espontâneo da vida, sinto que estamos conectados com uma inteligência amorosa, presente em tudo o que vive. Não sabemos de nada, mas ela sabe. E atrai para o nosso caminho as experiências, os encontros, o aprendizado de que precisamos para assoprar as densas nuvens que nos afastam do contato com o amor. Tudo se apresenta na medida e no momento adequados para que a nossa história seja desenhada com os traços que têm a ver com a nossa alma.

Em alguns pontos do caminho, vivenciamos circunstâncias desastrosas. Não temos idéia de como fomos parar lá. Ficamos enraivecidos, tristes e assustados. Pensamos em desistir, porque achamos que somos uma idéia que não deu certo e que a vida não vale a pena. Quando o vento passa e, mais tranqüilos, olhamos para trás, às vezes percebemos que o vento foi forte e também útil. Por mais incrível que pareça, sem ele talvez não soubéssemos outra maneira de sair do lugar. Percebemos que acaso é só um nome que arranjamos para chamar aquilo que ainda não conseguimos entender.

Texto de Ana Jácomo
http://anajacomo.blogspot.com/

quinta-feira, 22 de maio de 2008

O mistério dos relacionamentos

O relacionamento é um mistério. E, por existir entre duas pessoas, depende de ambas. Sempre que duas pessoas se encontram, um novo mundo é criado. Justamente pelo encontro, um novo fenômeno vem à existência - o qual não existia antes, o qual nunca existiu. E através desse novo fenômeno, duas pessoas são mudadas e transformadas. Não-relacionado, você é de um jeito; ao se relacionar, imediatamente fica diferente. Uma coisa nova aconteceu.
O relacionamento é criado por você, mas, por sua vez, ele também o cria. Duas pessoas encontram-se, isto significa que dois mundos se encontraram. Não é algo simples - é muito complexo, é o que há de mais complexo.
Cada pessoa é um mundo em si mesma - um complexo mistério com um longo passado e um futuro eterno. No começo, apenas as periferias se encontram. Mas, se o relacionamento cresce intimamente, se fica mais próximo, mais profundo, então, pouco a pouco, os centros se encontram. Quando os centros se encontram, isto é chamado de amor. Quando apenas as periferias se encontram, há uma familiaridade. Você toca a pessoa pelo lado de fora, só o contorno, então, fica familiarizado. Muitas vezes, você começa a chamar essa familiaridade de amor. Então, entra numa ilusão. Familiaridade não é amor.
O amor é muito raro. Encontrar uma pessoa em seu centro é passar por uma revolução em si mesmo, porque se você quiser encontrar o centro do outro, terá de permitir que o outro também chegue ao seu centro. Terá de tornar-se vulnerável, absolutamente vulnerável, aberto. É arriscado. Permitir que alguém chegue ao seu centro é arriscado, perigoso, porque nunca se sabe o que essa pessoa fará. E quando todos os seus segredos forem conhecidos, quando o que está oculto tornar-se visível, quando você tiver se exposto completamente, o que essa outra pessoa fará, nunca se sabe. O medo surge. Eis porque nunca nos abrimos. Basta uma familiaridade, e pensamos que o amor aconteceu. As periferias encontram-se, e pensamos que nós é que nos encontramos. Você não é a sua periferia. Na verdade, a periferia é o limite onde você termina, apenas a cerca ao seu redor. Não é você! Até mesmo os maridos e esposas que viveram juntos por muitos anos, podem ser apenas familiares. É possível que não tenham conhecido um ao outro. E quanto mais você vive com alguém mais se esquece de que os centros continuam desconhecidos.
Portanto, a primeira coisa a ser compreendida é:
Não tome a familiaridade por amor. Você pode fazer amor, pode estar sexualmente relacionado, mas o sexo também é periférico. A menos que os centros se encontrem, o sexo é apenas um encontro entre dois corpos. E um encontro entre dois corpos não é um encontro. O sexo também permanece na familiaridade - física, corporal, mas ainda familiar. Você só permite que alguém entre em você, em seu centro, quando não está com medo, quando não está temeroso. Portanto, eu lhe digo que existem dois tipos de vida. Uma orientada pelo medo; a outra, orientada pelo amor. A vida orientada pelo medo não pode nunca levá-lo a um relacionamento mais profundo. Você permanece no medo e não aceita o outro - não pode aceitar que penetrem em seu âmago mais profundo. Até um determinado ponto, você aceita o outro; além desse ponto, o muro vem e tudo estaciona.
A pessoa orientada pelo amor é uma pessoa religiosa. A pessoa orientada pelo amor é aquela que não tem medo do futuro, aquela que não tem medo dos resultados e conseqüências, não fica calculando ou manipulando - é aquela que simplesmente vive aqui e agora.

OSHO

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

A força curativa do amor...

"O Amor é a força mais curativa do mundo.
Nada penetra mais profundo do que o Amor:

ele cura não apenas o corpo,
nem apenas a mente, mas também a alma.

Então, tornamo-nos um ser total, completo -
e Ser total é Ser sagrado.
A saúde física é um fenômeno superficial;
pode acontecer através da medicina,
pode acontecer atravé da ciência.
Mas o centro mais profundo do ser pode ser curado
somente atravé do Amor.

Aqueles que conhecem o segredo do Amor conhecem
o maior segredo da vida.
E então não há miséria para eles,
nem velhice, nem morte!"

OSHO

quarta-feira, 12 de abril de 2006

Quando me amei de verdade...

Quando me amei de verdade compreendi que, em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato... E então, pude relaxar... Hoje sei que isso tem nome: auto-estima. Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades... Hoje sei que isso é ser: autêntico.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento... Hoje chamo isso de: amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesma... Hoje sei que o nome disso é: respeito.
Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... pessoas,tarefas, crenças, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo... De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo... Hoje sei que se chama: amor-próprio!!!
Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo... Hoje sei que isso é saber viver a vida INTENSAMENTE.
Quando me amei de verdade, desisti de querer ter razão sempre e, com isso,errei muito menos vezes... Hoje descobri a humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece... Hoje vivo um dia de cada vez plenamente.
Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar... Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada."

(Kim e Alison Mcmillen)


quinta-feira, 30 de março de 2006

Simplesmente ame porque...

A inteligência sem amor te faz perverso.
A justiça sem amor te faz implacável.
A diplomacia sem amor te faz hipócrita.
O êxito sem amor te faz arrogante.
A riqueza sem amor te faz avarento.
A docilidade sem amor te faz servil.
A pobreza sem amor te faz orgulhoso.
A beleza sem amor te faz ridículo.
A autoridade sem amor te faz tirano.
O trabalho sem amor te faz escravo.
A simplicidade sem amor te deprecia.
A lei sem amor te escraviza.
A política sem amor te deixa egoísta.
A vida sem amor não tem sentido.
Por isso......
Simplesmente AME e deixe-se AMAR!!!


(autor desconhecido)

domingo, 19 de março de 2006

Amor necessidade X Amor compaixão


Existem dois tipos de amor: o "Amor Necessidade" e o "Amor Compaixão".
O "Amor Necessidade" depende do outro, é um amor imaturo. Não é de fato amor, é uma necessidade. Você usa o outro como um meio. Manipula, domina, invade. O outro é reduzido, quase anulado, usado. E exatamente o mesmo está sendo feito pelo outro para com você. Ele tenta te manipular, te dominar, te usar.
Usar um outro ser humano é bem desamoroso. Isso apenas parece amor, mas é moeda falsa.
Isso acontece a quase 90% das pessoas, porque a primeira lição de amor que aprendemos é na infância. A criança nasceu e já depende da mãe. Seu amor para com a mãe é um "Amor Necessidade".
O homem se torna maduro no momento em que começa a "Ser Amor" ao invés de precisar. Ele começa a transbordar, a compartilhar esse AMOR que ele passa a SER.
A ênfase é totalmente diferente. No "Amor Necessidade" a ênfase é como obter mais.
No "Amor Compaixão" a ênfase é como transbordar amor incondicionalmente. Isso é crescimento, maturidade chegando.
Uma pessoa madura transborda. Somente uma pessoa madura pode verdadeiramente dar, porque ela não é dependente. Você pode ser amoroso, não importa se o outro é ou não.
O amor não é um relacionamento, é um estado de transbordar amor.
"Somente a meditação nos coloca no estado do "Amor Compaixão".


Texto do livro "Tantra, Amor e Meditação" - OSHO

quarta-feira, 8 de março de 2006

"Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.
Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é a pessoa da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas...é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar, não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você "

Mário Quintana

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